Mãe, profissão, estudo, mulher... meus muitos pratinhos que levam ao colapso!
Mãe, profissão, estudo, mulher... meus muitos pratinhos que levam ao colapso!
Me casei com 25 anos no ultimo ano da faculdade de nutrição. Moramos um ano fora, voltei pra São Paulo fiz uma pós-graduação. Enquanto fazia muitas entrevistas de emprego, engravidei do meu primeiro filho. Precisei ficar fora do mercado de trabalho por um período, mas quando ele estava com 1 ano e meio, resolvi entrar num mestrado e trabalhar fora. No início, como em toda profissão, tudo foi muito difícil, principalmente por equilibrar pratos com a maternidade de primeira viagem e casamento recente. As coisas começaram a melhorar quando, então, passei num concurso para um hospital estadual. Fiquei por 2 anos e, então, veio a investigação de autismo do meu filho ao mesmo tempo que já estava grávida do segundo. Previ que não daria conta daquilo. Pedi exoneração do meu cargo no hospital e abri um consultório para não deixar completamente a minha carreira de lado. Logo em seguida veio a pandemia. Enquanto ainda fechava o diagnóstico de TEA de um filho, o outro tinha 15 dias de vida quando entramos em lockdown. O meu marido, por ser médico, continuou trabalhando, enquanto eu fiquei com as crianças em casa. Me encontrei com uma criança austista constantemente em crise e um recém nascido, sem nenhuma rede de apoio! Foi quando comecei a ter os primeiros sintomas de depressão. O meu casamento começou a ser afetado. Enquanto eu cuidava por 24 horas da casa e dos filhos, descobri trocas de mensagens entre meu marido e uma secretária. Não havia nada concreto sobre uma possível traição, mas havia uma amizade um pouco mais íntima, que me incomodou muito. Meu marido nunca fazia amizades, sempre foi muito seletivo com pessoas e introvertido. Um convicto antissocial, muito intelectualizado e que, por divergir politicamente da maioria das pessoas, ficava sempre "na dele". Mas passou a se abrir justo com uma mulher jovem e muito bonita. Aquilo me deixou muito insegura e me remeteu a outras situações de insegurança que vivi: uma ex-namorada de longo tempo que nos sondou por anos e uma mulher (também jovem e bonita) que dava carona para o trabalho no exército, durante o nosso primeiro ano de casamento. Nunca fiz grandes escândalos por isso, mas sempre que demonstrava minha insegurança, não obtinha grandes explicações e nem muita atitude. Sempre muito objetivo e respaldado num discurso mais ético, do que preocupado em elaborar sobre ele ou os fatos. Parecia alheio a situação e não se comovia com a dor que me causava. Voltando ao período pandêmico, a nossa relação ia ladeira abaixo, quando recebi o contato de um ex namorado meu numa rede social. Resolvi manter contato, até mesmo porque, de início, parecia inocente e respeitoso. Com o tempo, as trocas de mensagens migraram para o WhatsApp. Ele começou a me elogiar e levantar a minha moral de um jeito que jamais tive do meu próprio marido. Então, numa gota d'água de desentendimento com ele, pedi separação. Isso foi em 2022, final da pandemia. Nos separamos por 4 meses. Não tive relacionamento com o meu ex, pois ele era casado. Experimentei sair com amigas, voltar a viver um pouco e sair das funções meramente domésticas e maternas. Ele ficou bastante mal com a situação, queria retomar o relacionamento e então, resovi dar mais uma chance. Permanecemos por mais 2 anos juntos e compramos uma casa. Contraímos uma dívida alta e, por isso, voltamos as discussões frequentes. Enquanto isso, lidava com mais um diagnóstico de autismo do meu segundo filho, praticamente sozinha. Ele mal buscava saber sobre as consultas e testes das crianças. Em mim, identifiquei o TDAH e busquei o diagnóstico, mas ele não. Jamais aceitava sequer ser apontado como possivelmente neurodivergente. O relacionamento ruía novamente, porque não me sentia ouvida, compreendida, acolhida e então, amada. Enquanto eu continuava dando conta de todas as demandas dos filhos, da casa e de todo o resto que surgia, eu ia me afastando dos objetivos profissionais e as dívidas só aumentavam. Enquanto ele, mantinha suas rotinas fixas de trabalho e seus hobbies (computador e jogos online). Eu tinha um sonho de fazer medicina, desde menina, e fui informar a ele que, como não conseguia mais atuar como nutricionista, eu ia voltar a estudar para quem sabe entrar em medicina. Ingenuamente, achei que ele ficaria feliz e veria isso como uma solução, mesmo a longo prazo, para que eu participace da renda familiar de forma mais equilibrada. Mas veio então o balde de água fria, dentre muito que eu levava. Como se todo sonho que eu tivesse fosse um devaneio. Aí então, cai na realidade novamente e pedi o divórcio. Foi um processo. Durante um tempo separamos os quartos, mas nos mantivemos na mesma casa até que ela fosse vendida. Arrumei uma advogada e, por má orientação, saí de casa com meus filhos em março de 2025. Duas semanas depois retornei a minha casa pra apresentá-la a um corretor e vi vestígios de uma mulher na cama onde a gente dormia. Foi chocante e doloroso pela rapidez, mas segui em frente. Eu também comecei a me abrir e conheci alguns homens. Só encontros casuais, nenhuma conexão real. Houve muitos conflitos nesse período, trocas de hostilidade e disputa, principalmente, pela pensão dos meus filhos. Por meses os abandonou afetivamente e financeiramente. Eu, cansada, comecei a ignorar os ataques e deixei que os advogados se resolvessem quanto ao melhor valor que caberia para os nossos filhos. Até que um dia ele resolveu frequentar de volta a minha casa e a ter contato diário com os filhos. Aos poucos fomos conversando e voltando a nos entender. Voltamos o relacionamento em julho, dias depois da assinatura do divórcio. Mas neste processo, me contou que tinha se relacionado com a mesma mulher que era secretária (depois virou psicóloga), com quem teve uma amizade mais próxima anos atrás, durante a pandemia. Aquilo foi uma facada, ficou indigerível e está me custando entender porque ele buscou justamente essa mulher. Tudo agora se justifica pelo autismo e a busca pelo conhecido, mas ao mesmo tempo o "conhecido" é muito sedutora, interessante e sempre disponível para ele. Acho que isso me pesou bastante para esse retorno, porque sempre fui muito insegura e me sinto mais descartável do que qualquer outra mulher. O motivo do término do relacionamento dele? Ela não se sentiu amada por ele como esperava! Em poucas semanas ele foi convencido de que não entende a reciprocidade no amor, de que tentei por anos ser compreendida no meu desafeto. Sobre a parte profissional, durante o período separada, tive um emprego bom, em que me sentia valorizada e recebia um salário mais justo. Repentinamente, a clínica encerrou as atividades. Em abril fiquei desempregada, mas rapidamente fui indicada para uma vaga em outra clínica, com salário bem inferior, onde ainda estou, sem ter outra opção. Sem poder voltar a estudar para realizar o sonho da medicina, resolvi iniciar a faculdade de odontologia. Porque não vejo mais futuro para mim como nutricionista. Não sou blogueira, não atuo com emagrecimento e nem dietas da moda. Minha paixão é tratar doentes e minha especialidade é a nefrologia. Então o mercado é restrito e pouco valorizado. Mas hoje, estou tendo o apoio de que sempre cobrei do meu marido. Finalmente, ele tem se aceitado como pessoa autista e mudou muito. Ele buscou um diagnóstico formal e tratamento. Tem estado mais calmo comigo e com as crianças, me ajuda com a casa e me dá suporte para esse desenrolar profissional. Só que... não estou feliz! Sinto um medo imenso do amanhã, de não conseguir novamente, não dar conta, falhir financeiramente de novo e não sustentar o relacionamento. Sinto um sufocamento quando penso em minha rotina e responsabilidades, uma fadiga constante, que me faz rastejar ao trabalho, que nem é tão exigente assim. Não sei se quero mais fazer faculdade, pois já não sei se será mais um dispêndio em vão. Não sei mais o que estou vivendo no meu relacionamento. Se ele tem sentimentos reais, se estamos reconstruindo certo, se sou capaz de amá-lo, de ser perdoada, de entender o que ele fez e perdoá-lo também e não só deixar para trás. Ou se ele me montou uma farsa para me prender numa mentira, para não perder o que já é conhecido e seguro... mas vê em mim só isso. Tenho crises constantes de choro, insônia e alguns pensamentos intrusivos suicidas me vêem a mente, mas com a consciência de que não devo. Eu deveria estar bem? Porquê não estou? Me sinto pequena, fraca, impotente diante de muitas escolhas, desmerecedora do meu protagonismo, muito menos capaz de conseguir o que eu almejei a minha vida toda, por vezes inútil, um fracasso... Não tive sucesso profissional, destruí meu casamento, não sei se supro adequadamente as necessidades dos meus filhos com presença e intensidade, se demonstro afeto e interesse por eles suficientemente para se sentirem amados, se sou capaz de me cuidar, ter autonomia, ser exemplo, ou se em meu egoísmo e vítima do próprio ego, os traumatizei para sempre.
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Anônimo
eu passei e passo pelo mesmo que vc.. sua historia me comoveu pq eu tbm tenho um filho adolescente atipico.. que ainda depende muito de mim. banho higiene intima , etc.. nao e facil. so quem tem filho adolescente atipico sabe o que passamos. queria poder ter com quem conversar tbm pq parece que na minha vida nada da certo tbm09-05-2026 08:22:50