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Desde os 10 anos, sempre me senti diferente das meninas da minha idade, em quase tudo. Principalmente por aparência, sempre fui muito alta, meu corpo já era de mulher, e eu tinha uma maneira própria de pensar, uma maneira diferente que eu não sei explicar. Sempre fui e sou muito insegura comigo mesma. Não me encaixava na 4° e 5° série, no final de 2024 em novembro, comecei a fazer tratamento psicológico, por que minha mãe foi percebendo aos poucos o quão desanimada pra tudo eu era. Não queria sair de casa nem a pau só por não me sentir bonita o suficiente pra pisar o pé fora do portão, não comia com medo de engordar ( já era magra, só não via isso, e nem vejo, a insegurança me deixava e como me deixa cega sobre mim mesma.) em dezembro, nos ensaios da dança da formatura, onde só as meninas iriam participar, tanto as meninas do 5° ano da manhã e o 5° ano da tarde. Uma menina fez alguma piadinha sobre de estar com medo da blusa da formatura não se ajeitar no corpo dela, e aí as meninas incluindo comigo, disseram algo como " mais amiga, você é tão magra " e demos risada, fazendo uma rodinha e girando, enquanto riamos e falávamos " magras, magras, magras ". Uma menina parou de girar, e disse pra mim " mais você nem é magra " aquilo foi como uma facada no meu peito, em questão de segundos eu me senti uma porca suja, vestindo roupa. E depois desse dia, qualquer momento que eu tinha com alguma amiga, eu me sentia uma aberração perto delas, um monstro. Feio, ridículo, burro e sem hobbie e qualidade alguma. Outro detalhe que não mencionei antes, desde os 10, nunca tive aquele " crush " de infância, por que eu me sentia horrível, hoje em dia eu já me sinto um pouco melhor em relação a minha aparência, mais sigo sendo insegura. Quando cheguei na 6° série, melhorei muito, fiquei mais extrovertida, sorria mais, saía bem mais de casa, e me cuidava. Mais nada tirava da minha cabeça que eu era burra, feia. E uma coisa que só reforçava esses pensamentos sobre mim, eram as discussões que eu tinha com meus pais, principalmente o meu pai. Ele é de pavio curto, então fica bravo com qualquer besteirinha, quando discutimos, ele surta. Me chama de burra, diz que parece que quanto mais eu cresci mais inútil eu fui ficando. Ele me ama, mais parece que quando fica bravo, fala só verdades que não falou antes. Uma dessas discussões, foi quando eu me " cortei " pela primeira vez, a briga foi feia. Eu usei uma tesoura, e cortei meus pulsos até que sangrasse bastante. E isso se tornou um vício, tudo que acontecia, estresse, raiva, tristeza, brigas, comparação e insegurança, eu ia lá e descontava em mim mesma. Uma vez, foi quando eu fiquei me olhando no espelho por muito tempo, e comecei a ficar com nojo da minha aparência, eu me sentia nojenta. Mesmo sabendo que por onde eu passo, eu recebo mil elogios, no mínimo. Por ter 1,77 sendo nova, é meio que impossível não chamar pelo menos um pouco de atenção. E mesmo assim, a única que não vê quem eu sou, sou eu mesma. Nesse dia, eu usei uma lâmina, e fiz 3 cortes fundos na coxa, e quatro cortes fracos. Um dia, eu fui tirar sangue com minha mãe, e quando virei o pulso pra enfermeira tirar, ela viu. No carro ela tentou conversar comigo, mais quando ela abriu a boca pra tocar no assunto, eu comecei a chorar. Ela me deu uma liçãozinha que não serviu pra nada, disse que eu tinha boas condições financeiras, que minha família me amava, por que eu fazia isso, como se o motivo fosse isso, como se eu fosse uma ingrata por tudo que eu tenho. Ela me levou na neurologista, e eu recebi um diagnóstico de ansiedade depressiva, distorção de imagem e automutilação, passei na psiquiatra, e tô tomando um monte de remédio maluco. Permaneço insegura comigo mesma, me sinto gorda demais. (1,77 66kg), me sinto feia, obesa, e tudo de ruim que pode se imaginar. Quando como qualquer coisa, nem que seja um bombom, eu enfio os dedos na garganta e vomito tudo, só pra tentar me sentir menos podre.

29-09-2025 23:14:31
  • Anônimo

    Pelo seu tamanho esse peso é pouco Não se deprima por nada erga a cabeça e siga . Busque sempre a auto estima. Busque a Deus e ele cuidará de ti minha jovem
    11-10-2025 23:37:07
  • Anônimo

    Eu imagino como deve ser pesado carregar tantas inseguranças, especialmente quando elas começam a afetar a forma como você se vê e até como você lida com seus sentimentos. O fato de você ter compartilhado sua dor já é um grande passo, e é muito importante que você saiba que você não está sozinha. A insegurança que você sente, a dor emocional e a luta contra a distorção da imagem corporal não são algo que você precise carregar sem ajuda. A ansiedade, a depressão e a automutilação podem ser reflexos de um sofrimento muito profundo, e é fundamental que você continue buscando apoio para lidar com isso. As palavras que você mencionou, as comparações e o tratamento das pessoas ao seu redor, como seu pai, podem ser muito dolorosas, mas lembre-se de que o amor que você sente por si mesma é o que vai te curar. Não é fácil, mas cada dia em que você se permite dar esse passo em direção ao cuidado e à autoaceitação, mesmo que pequeno, é um grande progresso. A terapia é um caminho importante, e os remédios ajudam, mas o apoio emocional e o cuidado consigo mesma são essenciais. Você não precisa fazer tudo sozinha, e buscar ajuda, como o que está fazendo, é muito importante. Cada vez que você sente que pode falar sobre o que está passando, você está se libertando um pouco mais dessa dor. O que você é é mais do que o seu corpo e mais do que as palavras dos outros. Você tem um valor único e inestimável, e merece aprender a se ver com mais carinho e acolhimento. O que está acontecendo com você agora não define quem você é e nem seu futuro.
    01-10-2025 22:49:10