Talvez o problema seja eu?
Talvez o problema seja eu?
Cresci escutando que meu pai sempre fora o primeiro e único namorado de minha mãe, que ela havia se apaixonado perdidamente por ele e assim tiveram sua família. Desse breve relacionamento de alguns anos, nasceram minha irmã e eu. Desde pequena sempre pensei que éramos apenas duas, e sempre desejei ter um irmão mais novo, acho que paguei com minhas palavras. Em poucos tempos após completar meus 10 anos, descobri que havia um irmão mais novo por parte de pai. Eu pensava que as coisas eram fáceis, que poderia me encontrar com ele e tudo seria mil maravilhas, que finalmente poderia ter meu tão sonhado irmão. Mas as coisas não saíram desse jeito, o sonho logo se tornou um pesadelo. A mãe desse menino conseguiu transformar a minha vida e a vida de minha mãe em um inferno. Descobri que quando tinha apenas 1 anos de idade, essa mulher trouxe um álbum de fotos de meu pai nu e mostrou a minha mãe, e o estresse foi tanto que em pouco tempo minha mãe descobriu que tinha diabetes (ela diz que a diabetes só se mostrou por conta desse estresse extremo). Mas isso, supostamente, fora superado por ela. Recentemente, no começo desse ano, fui visitar meu pai em sua casa. Já que minha mãe o proibiu de me ver em minha casa, então, agora devo ir até a casa dele no perto do sul de São Paulo. Enfim, nessa visita, ele teve a capacidade de trazer a amante (atual ficante dele) para a mesma casa a qual estava toda a família. Antes mesmo de saber da existência do ‘menino’, eu sempre soube que existia duas irmãs por parte de pai, ao qual eu raramente tinha contato. E graças a uma dessas irmãs, eu descobri coisas horríveis. O que já eram atualmente apenas cinco irmãos, foi descoberto mais duas meninas, resultando em 7 irmãos ao todo. Isso foi como um choque para mim. Não bastava que trouxesse uma mulher a qual vivia me mandando mensagens como: ‘Você já esta velha’, ‘Ele não vai voltar para você, ele pode ser pai das suas filhas, mas sou eu quem ele está comendo.’ E muitas outras de baixo calão, (essa atual sempre pensou que essas mensagens estavam indo para minha mãe, mas sempre vieram para mim.) Eu olho a minha mãe agora, e me vem um certo peso na consciência. E se? Eu queria que ela tivesse aproveitado mais a sua adolescência ao invés de desperdiçar com um único homem ao qual a decepcionou. Queria que ela tivesse ido para todas as festas, que ela não tivesse que sair da Bahia com apenas 15 anos para viver em São Paulo. Eu sinto que sou um fardo, sinto que sou um enorme problema. Mas não pode ser ao nível ao qual as coisas estão indo. Desde que me entendo por gente sempre notei essa escolha dela, talvez seja apenas delírio meu, ou apenas estava tentando me isolar de tudo. Sempre notei essa escolha por minha irmã mais velha, essa preferência. Eu me lembro até hoje de algo. Estávamos as três sentadas no sofá, eu deveria ter por volta dos meus 6/7 anos. Eu finalmente tomei coragem e disse baixinho para ela “eu acho que te odeio.” E ela não ficou irritada, mas algo dentro de mim sabe que ela ficou decepcionada comigo, e que até hoje não me vê com os mesmos olhos. Ela virou o rosto para me encarar e deu risada, e então, pegou meu cabelo e virou para mim já irmã e disse “pega a tesoura, ela disse que me odeia, então vamos cortar o cabelo dela.” Não era algo como punição, ela ria e tentava me fazer cócegas. E eu acho que naquele momento, naquele único momento, eu já não odiava mais ela. Mas agora eu sei que talvez ela me odeie por estragar a juventude dela. Eu passei anos da minha vida desejando nunca ter nascido, rezando para morrer, apenas para que ela pudesse aproveitar a sua juventude. Conhecer outros homens, conhecer alguém a quem faria ela mais feliz do que o homem a qual chamo de ‘pai’. Agora, ela se priva, diz que está gorda, que nenhum homem deseja uma mulher doente, que tem duas filhas. É isso me dói, me arrependo cada vez mais do meu nascimento. Não que ela seja a mãe perfeita, perdi as contas de quantas vezes chorei por palavras maldosas. Nunca me esqueci de algo que ela me disse esse ano: “Vou acabar abandonando você. Você é muito difícil de lidar.” Isso conseguiu acabar comigo para o resto da minha vida, e eu penso em como sou uma filha péssima, mas que mãe fala algo desse tipo para sua filha? Eu sei que sou difícil, que sou chata, que choro por tudo, mas será que sou tão ruim assim?
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